Camisa vermelha, pés descalços e uma ponte dos Duartes como cenário. [Rios, pontes e overdrives]. Profecia dita em certo dia. Vulco, vulco, vai e vem, mas, nenhum sorriso presente, nem tão pouco, uma atenção. Apenas uma mão estendida. [Impressionantes esculturas de lama]. Lama de sacrifício e suor. "Deus me ajuda", diz sua face. Olhar comprido exclamando um anonimato. Anônimos. Invisíveis. Oh, Recife!
Pontes, rios, mar. Deslumbramento do luar. Roda lunar. Cirandas celebrando a ausência do sorriso presente na ponte. Menino cambaleando com uma cola na mão, ou melhor, na boca. Fuga de um cenário belo. Por que se dopar?! "Sou mulambo desde que nasci, senhor", afirmou com fala mansa. E o mulambo caiu lá no calçamento bem no sol do meio dia.
O amontoado volta a transitar. Ônibus, carro, caminhões trafegam. Janela meio aberta confere a cena. Pena [compaixão]. A cana do bagaço surge. Passou o veículo e o mulambo continuou com a mão estendida. "Olha água, pipoca", grita um desfigurado do outro lado da ponte. Busca do pão. Um quer outro não quer, outro rouba, outro segue. Outro se alimenta com buchada. Barriga vazia.
Luzes se acendem. Hora da Ave Maria. Sinal da cruz sinalizando hipocrisia. Mulambo pega o saco sujo. Alguns cinco centavos, e logo, um sorriso aberto. "Moço, um pão?!" Finalizando o sinal da cruz, moço vira a cara e renuncia o pedido. O mulambo reverte. Mulambo vazio. Mulambo tu. A lama come no mocambo e no mocambo tem mulambo com sede.
Alguns anos. Feliz aniversário, Recife! "Viva o Recife", grita o de marca. Nasce outro dia. Segue o mulambo com uma cola. Pra quer se dopar?! "Sou mulambo boa praça e conheço a miséria, senhor"
Palafita, mangue, casebre. Ociosidade. Cenário concreto.
Pontes, rios, mar. Deslumbramento do luar. Roda lunar. Cirandas celebrando a ausência do sorriso presente na ponte. Menino cambaleando com uma cola na mão, ou melhor, na boca. Fuga de um cenário belo. Por que se dopar?! "Sou mulambo desde que nasci, senhor", afirmou com fala mansa. E o mulambo caiu lá no calçamento bem no sol do meio dia.
O amontoado volta a transitar. Ônibus, carro, caminhões trafegam. Janela meio aberta confere a cena. Pena [compaixão]. A cana do bagaço surge. Passou o veículo e o mulambo continuou com a mão estendida. "Olha água, pipoca", grita um desfigurado do outro lado da ponte. Busca do pão. Um quer outro não quer, outro rouba, outro segue. Outro se alimenta com buchada. Barriga vazia.
Luzes se acendem. Hora da Ave Maria. Sinal da cruz sinalizando hipocrisia. Mulambo pega o saco sujo. Alguns cinco centavos, e logo, um sorriso aberto. "Moço, um pão?!" Finalizando o sinal da cruz, moço vira a cara e renuncia o pedido. O mulambo reverte. Mulambo vazio. Mulambo tu. A lama come no mocambo e no mocambo tem mulambo com sede.
Alguns anos. Feliz aniversário, Recife! "Viva o Recife", grita o de marca. Nasce outro dia. Segue o mulambo com uma cola. Pra quer se dopar?! "Sou mulambo boa praça e conheço a miséria, senhor"
Palafita, mangue, casebre. Ociosidade. Cenário concreto.

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