Tardes como essa não se tem em filmes da sessão da tarde, ou muito mesmo nos de Tarantino, aceito a condição de ser cena exclusiva da vida real. Sem making off, cortes, efeitos especiais, apenas duas taças e uma alma. Olhei ligeiramente para suas mãos e percebi o quanto sua pele combina perfeitamente com o contorno delas. Suspirei tentando achar um momento para externar, mas o silêncio surtiu bem maior. Não disse nada, nem precisava. Naquele instante o meu olhar apenas queria tocá-lo, e com isso, deixar bem claro que me fazia de corpo presente junto com minha alma e coração.
Abandonar? Quem ousa pronunciar essa palavra?! Os pessimistas, talvez. Já fiz a reza. O relógio não parou comprovando a existência do tempo em ambas as vidas que festejavam um dia sublime, uma segunda. “Vamos pra longe. Sem se tocar os olhos vão se encontrar e se perder”. Lábios molhados. Modelagem. Suor. Naquele dia, o descobrir de uma conjugação. Olhos fixos mostravam o verbo. Pode parecer um detalhe minúsculo, mas graças a essa vontade de expressar, percebo a importância da existência, e bem mais que isso, compreendo o verdadeiro sentido do encontro.
Percebo o valor de se trilhar muitos dias de convivência. Um abraço com voltas de braços surtiu como cortinas fechando o dia de um belo espetáculo. Ali chegava um fim com gosto e certeza de um excelente começo. Construir, trilhar, aconchegar... que haja verbos suficientes para concretizar. Céu e mar. Cúmplices. Dois corpos agindo por uma alma. Garrafa vazia. Um toque de vermelho. Um tom tinto para esquentar.