sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Vinho

“Vamos pro lounge. Beber um vinho safra ruim. E conversar sobre a TV”. Tarde composta por um tingimento suave, conversas contornadas de sentidos e desejos. Entre cheiros e vontades, uma pausa para expressões tão belas. Água para ‘acalmar’ os ânimos contidos no auge da mesa de um restaurante de esquina.

Tardes como essa não se tem em filmes da sessão da tarde, ou muito mesmo nos de Tarantino, aceito a condição de ser cena exclusiva da vida real. Sem making off, cortes, efeitos especiais, apenas duas taças e uma alma. Olhei ligeiramente para suas mãos e percebi o quanto sua pele combina perfeitamente com o contorno delas. Suspirei tentando achar um momento para externar, mas o silêncio surtiu bem maior. Não disse nada, nem precisava. Naquele instante o meu olhar apenas queria tocá-lo, e com isso, deixar bem claro que me fazia de corpo presente junto com minha alma e coração.

Abandonar? Quem ousa pronunciar essa palavra?! Os pessimistas, talvez. Já fiz a reza. O relógio não parou comprovando a existência do tempo em ambas as vidas que festejavam um dia sublime, uma segunda. “Vamos pra longe. Sem se tocar os olhos vão se encontrar e se perder”. Lábios molhados. Modelagem. Suor. Naquele dia, o descobrir de uma conjugação. Olhos fixos mostravam o verbo. Pode parecer um detalhe minúsculo, mas graças a essa vontade de expressar, percebo a importância da existência, e bem mais que isso, compreendo o verdadeiro sentido do encontro.

Percebo o valor de se trilhar muitos dias de convivência. Um abraço com voltas de braços surtiu como cortinas fechando o dia de um belo espetáculo. Ali chegava um fim com gosto e certeza de um excelente começo. Construir, trilhar, aconchegar... que haja verbos suficientes para concretizar. Céu e mar. Cúmplices. Dois corpos agindo por uma alma. Garrafa vazia. Um toque de vermelho. Um tom tinto para esquentar.     

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