Cabelos longos, salto alto, um mero blush para esconder o rosto. Uma composição quase tão plural presente em uma sala de aula. Alunos longe, conversa jogada, um iPad em jogo. Eis que surge um comentário pouco sem nexo. Gargalhadas são soltas no ar. Falando em ar, o calor é um dos mais calorosos.
Menino de barba tira do bolso pequeno da calça jeans, um bombom de hortelã. O cheiro chega na comissão de frente. A moça com olhos compridos, quase babando, almeja o tão bombom. Professora no cenário apagado entra em cena com assuntos sobre jornalismo opinativo. Estudantes relevam o assunto. A conversa ganha a cena e segue prevalecendo.
Editorial? Puta merda! Falhou no meio. Pose de jornalista à paisana com um bloquinho de anotações. Pois há um conteúdo no quadro, que por sinal, não é negro.
Menina do lado esquerdo da sala (de alguns m²) deseja uma leitura imediata. Cantoria surge no fundão. Outra garota levanta-se para copiar o tal assunto irrelevante. [barulho de caneta]
Quase uma sincronização com o auê pairado no pequeno espaço. Metro quadrado contendo cadeiras, ao invés de carteiras.
Ditado de nomes. "Eu! Aqui! Presente!" [gritam]
Sexta-feira, uma noite para ser degustada com o cenário imposto no piso.
domingo, 24 de março de 2013
domingo, 17 de março de 2013
Um piar
Um piar no meio de uma brisa leve. Um flutuar de folhas. Um silêncio. Cabeças grisalhas testemunhando o cenário. Semblante de lucidez, esquecimento, tristeza. Sorrisos. Longos anos de vivência. Esquecidas? Um talvez surge em meio a uma lágrima.
Pés transitam, mas não param. O deitar se concretiza a ação sem definição. Porta-retratos caídos... Rosto de um tempo talvez guardado em uma memória. Por que?! Calar. Sorriso mucho sem uma rosa para resplandecer. Sem luz. Sem fome. Nada tem graça. "Rezo todos os dias, e nada", exclama uma ex-cristã.
Apenas uma luz artificial, e talvez, um lençol pouco surrado com oitenta e três anos. Abandono. Feijão para suprir a ausência. Não serve. "Pra quer mesmo?" Dias, meses, anos, séculos. Tintas já não funcionam para colorir. Giz cera. Argila. Lã. [disfarce]
Contornos longos. Braço sem dedos. "Algum problema?" Sorriu! Varanda. Piar de uma ausência. Brancos cabelos. Definição? Sem pressa, apenas ventos soltos sem face e sentir.
terça-feira, 12 de março de 2013
Recife
Camisa vermelha, pés descalços e uma ponte dos Duartes como cenário. [Rios, pontes e overdrives]. Profecia dita em certo dia. Vulco, vulco, vai e vem, mas, nenhum sorriso presente, nem tão pouco, uma atenção. Apenas uma mão estendida. [Impressionantes esculturas de lama]. Lama de sacrifício e suor. "Deus me ajuda", diz sua face. Olhar comprido exclamando um anonimato. Anônimos. Invisíveis. Oh, Recife!
Pontes, rios, mar. Deslumbramento do luar. Roda lunar. Cirandas celebrando a ausência do sorriso presente na ponte. Menino cambaleando com uma cola na mão, ou melhor, na boca. Fuga de um cenário belo. Por que se dopar?! "Sou mulambo desde que nasci, senhor", afirmou com fala mansa. E o mulambo caiu lá no calçamento bem no sol do meio dia.
O amontoado volta a transitar. Ônibus, carro, caminhões trafegam. Janela meio aberta confere a cena. Pena [compaixão]. A cana do bagaço surge. Passou o veículo e o mulambo continuou com a mão estendida. "Olha água, pipoca", grita um desfigurado do outro lado da ponte. Busca do pão. Um quer outro não quer, outro rouba, outro segue. Outro se alimenta com buchada. Barriga vazia.
Luzes se acendem. Hora da Ave Maria. Sinal da cruz sinalizando hipocrisia. Mulambo pega o saco sujo. Alguns cinco centavos, e logo, um sorriso aberto. "Moço, um pão?!" Finalizando o sinal da cruz, moço vira a cara e renuncia o pedido. O mulambo reverte. Mulambo vazio. Mulambo tu. A lama come no mocambo e no mocambo tem mulambo com sede.
Alguns anos. Feliz aniversário, Recife! "Viva o Recife", grita o de marca. Nasce outro dia. Segue o mulambo com uma cola. Pra quer se dopar?! "Sou mulambo boa praça e conheço a miséria, senhor"
Palafita, mangue, casebre. Ociosidade. Cenário concreto.
Pontes, rios, mar. Deslumbramento do luar. Roda lunar. Cirandas celebrando a ausência do sorriso presente na ponte. Menino cambaleando com uma cola na mão, ou melhor, na boca. Fuga de um cenário belo. Por que se dopar?! "Sou mulambo desde que nasci, senhor", afirmou com fala mansa. E o mulambo caiu lá no calçamento bem no sol do meio dia.
O amontoado volta a transitar. Ônibus, carro, caminhões trafegam. Janela meio aberta confere a cena. Pena [compaixão]. A cana do bagaço surge. Passou o veículo e o mulambo continuou com a mão estendida. "Olha água, pipoca", grita um desfigurado do outro lado da ponte. Busca do pão. Um quer outro não quer, outro rouba, outro segue. Outro se alimenta com buchada. Barriga vazia.
Luzes se acendem. Hora da Ave Maria. Sinal da cruz sinalizando hipocrisia. Mulambo pega o saco sujo. Alguns cinco centavos, e logo, um sorriso aberto. "Moço, um pão?!" Finalizando o sinal da cruz, moço vira a cara e renuncia o pedido. O mulambo reverte. Mulambo vazio. Mulambo tu. A lama come no mocambo e no mocambo tem mulambo com sede.
Alguns anos. Feliz aniversário, Recife! "Viva o Recife", grita o de marca. Nasce outro dia. Segue o mulambo com uma cola. Pra quer se dopar?! "Sou mulambo boa praça e conheço a miséria, senhor"
Palafita, mangue, casebre. Ociosidade. Cenário concreto.
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